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Quando começo a existir?

Quando começo a existir?

… a partir do momento em que sou amado!

Como este é um começo, o nascimento de um projecto (o blogue) o florescer de uma ideia, então faz sentido começarmos por falar/reflectir um pouco sobre o início dos inícios, o começo de tudo e de todos, a existência na verdadeira ascensão da palavra.

Todos nós só começamos a existir a partir do momento em que somos amados e isto pode ocorrer muito antes de um nascimento ou, infelizmente em alguns casos, tempos depois do mesmo.

O leitor questiona-se, como pode alguém nascer, viver e não existir? Simples, somos seres relacionais e é o olhar de amor do outro que, nos primeiros momentos de vida nos atribui o significado da nossa existência, se não houver amor fica todo um vazio sem sentido, uma indefinição caótica do “eu” e do que o rodeia, ou seja vivemos mas não estamos definidos enquanto ser, enquanto identidade. Há também quem comece a existir muito antes de nascer, pelo simples facto de ser desejado, idealizado, sonhado e este significado intersubjectivo do outro cria o primeiro significado de “mim”. É depois deste percurso emocional do outro que vem o confronto com esse significado espelhado no seu olhar de amor, olhar que me diz quem sou, como sou, como é o mundo que me rodeia e o que é esperado de mim.

O mundo é apresentado e representado ao bebé através dos pais ou do “objecto” de relação primordial, em especial o mundo dos afectos, sendo muitas vezes a mãe o seu “tradutor” e contentor (aquela que contém medos, angústias, fantasmas) nos primeiros tempos de vida, é ela que lhe dá significado através do seu amor. São os pais que estabelecem os primeiros laços e conexões, são os pais, é o amor destes, que atribui sentido à vida de um novo ser, é o seu olhar que lhe atribuirá significado, lhe organizará o caos do mundo e o devolverá de forma percetível, ordenada e compreensível. Só depois deste amor de base, desta primeira existência repleta de intersubjectividade é que o novo ser é capaz de realizar uma exploração do imaginário e a reformulação do simbólico, de se conhecer e definir e, a partir daí poderá então encontrar no seu percurso existencial outras formas de amor, outros olhares, outros espelhos que irão moldar a sua forma de ser, o seu “Eu” ganhará novos significados ou apenas reforçará os já existentes reformulando-o enquanto pessoa.

Em suma, somos seres relacionais, necessitamos do outro para nos definirmos, para sermos, é no e pelo olhar do outro que começamos a dar significado ao simples facto de existir. As relações são a maior arma da humanidade, elas têm um poder transformacional, transformativo e transformador, desde o inicio da vida até ao final da mesma, existirá sempre uma dependência relacional.

 

Eu sou, porque antes fui para alguém! Todo o que me “tocou” intrinsecamente com amor deixou uma parte de si em mim, transformando-me e transformando-se, é a relação que importa, nela e por ela eu sou, permitindo também ao outro ser.

 

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'Quando começo a existir?' tem 6 comentários

  1. 9 Julho, 2015 @ 14:51 Carlota Cruz

    Gostei muito. Acho que o pensamento é muito profundo e possui muito sentimento. O amor é tudo. Desde o primeiro minuto das nossas vidas até ao último, apenas com amor somos alguém, somos quem somos e somos como somos.
    Obrigado pelo post. Bis!

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    • 9 Julho, 2015 @ 18:29 Cristina dos Santos

      Obrigada pelo comentário e obrigada à Elisabete Correia!

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    • 10 Julho, 2015 @ 10:40 Elisabete

      Carlota Cruz obrigado pelo seu maravilhoso comentário, espero que continue a acompanhar os posts e que estes continuem a ser do seu agrado… iremos continuar a partilhar as nossas formas de ver o mundo.
      Tudo de bom!
      Elisabete Correia

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      • 10 Julho, 2015 @ 21:26 Carlota Cruz

        Obrigado Elisabete. Vou acompanhar sempre com muito prazer. Os vossos textos, pensamentos e princípios são muito profundos e divertidos. Tudo de bom igualmente.

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  2. 9 Julho, 2015 @ 16:55 Madalena Pimenta

    Parabéns Cristina. Gosto muito do teu blog. Os textos e pensamentos estão fantásticos. Parabéns ao blog Vaidade Sem Preconceito. Continua assim.

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