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Olá tudo bem

Olá tudo bem

Olá tudo bem? Pergunta retórica?

Digam lá se esta frase não é atualmente uma espécie de pergunta retórica.

E estaria no ranking das perguntas que mais vezes se fazem ao dia – se existisse esse ranking, claro.

Quer sejamos nós a dizer primeiro, quer seja como resposta, é quase obrigatório um: “Olá, tudo bem?” ou um “Então, tudo bem?” ou ainda “Está tudo”

É uma espécie de bom dia ou boa tarde dos tempos modernos.

Eu própria, apesar de ser uma defensora do “bom dia”, também o substituo, sem remorsos, muitas vezes pelo “olá, tudo bem”, ou apenas por um “olá”.

E, não me parece que esteja mal. Antes isso do que passarmos por um conhecido ou amigo e nem dizermos nada. É um cumprimento dos dias de hoje.

E se dissermos uma dessas três frases, sempre evitaremos, que uma conhecida nossa, mais tarde nos venha dizer em tom de crítica: – “Olha lá, ó importante, há dias passastes por mim e nem dissestes nada!” (Reparem que deixei propositadamente os últimos “s” do passaste e do disseste! Foi só para dar mais ênfase à questão, não foi por mais nada!)

Notem que, a maior parte das vezes, esta pergunta é feita, mas não se aguarda a resposta. É uma pergunta que vale por si só. Chegou, viu e venceu. Vejamos:

Dizemos: Olá, tudo bem? Mas seguimos viagem. Complementamos muitas vezes com um sorriso, que em muitos casos significa: (eu cá) estou bem obrigado(a). Mas, a maior parte dos casos é só mesmo o “Olá, tudo bem?”

(Na verdade, muitas das vezes é só “olá” e noutras o “olá” até é omitido. Mas, isso é só um pormenor!)

Existe uma versão mais completa:

Olá, tudo bem? Tudo.

Neste caso, apercebemo-nos que o nosso interlocutor disse a mesma coisa, ou presumimos que é o que nos vai dizer e, como vale mais prevenir… acrescentamos, de imediato, a resposta: “Tudo.” Mesmo que ele já esteja a 3 passos de distância e já não vá ouvir essa parte.

Ou, uma versão mais poupada:

“Está tudo.” Nesta opção, além de perdermos menos tempo a pronunciá-la, uma vez que são só duas palavras, o que acontece ainda é que, dependendo da entoação que dermos à frase, a mesma pode servir como pergunta e como resposta. (Parece que começa como uma pergunta, mas não há dúvida que termina como uma resposta!) Assim, estamos a perguntar à pessoa como está (o que demonstra que somos educados e cumprimentamos as pessoas) e ao mesmo tempo estamos a informá-la de que está tudo bem connosco. O outro, já nem precisa de perguntar nada.

Mesmo que não esteja tudo bem:

Sucede muitas vezes que não está tudo bem. Porém, isso é um pormenor que não interessa para o caso, nem irá mudar a nossa resposta. Tal é a azáfama e a correria dos nossos dias, que nos tira tempo para queixumes. E sempre poupamos uns minutos ao nosso amigo ou conhecido, que já está atrasado para o emprego, mas ainda vai tomar um cafezito para acordar.

Outra vantagem, é que se evita uma paragem. Isto pode fazer-se sempre em andamento.

Por outro lado, também não precisamos de nos preocupar em estar informados acerca da meteorologia. Atentem no seguinte exemplo:

“Que calor! Está mesmo abafado. Dizem que vem aí uma trovoada.” Ora bem, este senhor estava bem informado. Mas, imagine que ele perguntava: “Que calor! Está mesmo abafado. Será que vem aí alguma trovoada?” Ora, se não estivermos informados, não saberemos responder. Com o “Está tudo” já não temos esse problema.

-“Ah, mas isso para mim não chega. Eu preciso de dizer mais alguma coisa.”

Nestes casos, o que podem fazer, se sentirem necessidade disso, é durante a pausa para almoço, ou a pausa da manhã, se a tiverem, aproveitarem para se queixar ou vangloriar da vida, conforme o caso. Porque este tipo de cumprimentos de que vos falo hoje não dão margem nem para lamúrias, nem para se gabarem do futebol, ou da carteira nova.

Queria terminar com uma nota importante:

Os “tradicionais “bom dia”, ou “boa tarde” nunca saem de moda e adequam-se sempre, além de que se souberem de antemão que a pessoa que avistam não está bem por algum motivo que seja conhecido ou evidente, sugiro que se limitem aos tradicionais “bons dias”.

Até à próxima. Até lá, fiquem bem. (É uma frase de despedida dos tempos modernos!)

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