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Um grande azar ou uma sorte do caraças

Escrevo-vos do outro lado do mundo. E isto aqui é outro mundo.

Quando vos digo que do “outro lado” é “outro mundo” estou mesmo a falar a sério. Sendo que o “outro lado”, hoje, e porque estou cá, é “deste lado.”

Tudo o que aí vos pareça normal e óbvio, deste lado é uma alegoria, algo estranho, impossível, algo do outro mundo, como se “desse lado” é que fosse o “outro mundo”. Confusos?

Bom, mas estou a divagar e tenho de conduzir os prezados leitores a uma resposta à questão que me trouxe a este escrito em primeiro lugar:

Um grande azar ou uma sorte do caraças? Vejamos:

“Deste lado” o tempo voa, os consumíveis consomem-se sem controlo, os perecíveis perecem à velocidade da luz solar a pique e ao som das Yolas, da Araújo, da Semedo e das sósias de ambas. E os sapatos, esse bem de primeira necessidade, essa ferramenta de trabalho, porque não dizê-lo, partem-se como bolachas maria a entrar numa tigela de leite quente.

Nunca me tinha acontecido e devo dizer que a sensação foi poderosa, antónima de assombrosa, foi devastadora e, para que conste, eu nem gostava muito dos ditos sapatos. Eram aqueles sapatos que todas temos que ter porque são pretos, uma espécie de botins peep toes, com cunha em tom neutro e um salto enorme, que calçamos naqueles dias em que sabemos que não vamos ter reuniões e que não iremos ser vistas por aquela(s) pessoa(s) a quem gostamos de mostrar sapatos bonitos. Não eram lindos, mas eram altos, muito altos, aliás dos mais altos que tenho ou tinha… e davam-me um jeitão.

Tinha eu acabado de almoçar, em casa, já estava a caminhar para o carro quando ouço um som estranho vindo dos meus pés, mas como o som não foi acompanhado por nenhuma sensação anormal, continuei o meu percurso. Só quando inicio o movimento de levantar, uma a uma, (obviamente), as pernas, para entrar no carro é que vejo que toda eu entro na viatura, mas o sapato, ou parte dele, não. Fiquei naturalmente chocada – mas com o ar impávido e sereno que me caracteriza. Pelo que, subtilmente, pedi uns minutos a quem me acompanhava e no meu melhor deambulo que nem brisa matinal, esvoaço sobre o chão até alcançar primeiro a porta do prédio, depois o elevador, de seguida a porta do apartamento e a partir daí já posso caminhar normalmente, pois mesmo que me esborrache no chão já me permito cair sem me preocupar se o vou fazer de forma graciosa.

Dirigi-me ao closet, procurei uns substitutos e continuei o dia.

Não sei se os suicidas estavam deprimidos, ou se foi um acidente, ou se tinha que ser, mas esmigalharem-se assim, foi “do outro mundo”.

Agora, voltemos à minha pergunta, os desgraçados partirem-se desta maneira é violento, para mim, claro, mas escolherem uma hora em que eu pudesse facilmente trocá-los é obra. Por isso, sorte ou azar, depende do estado de humor!

 

E para que não duvidem de SS, porque SS não mente, aqui ficam mais umas fotos.

 

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'Um grande azar ou uma sorte do caraças' tem 2 comentários

  1. 27 Junho, 2015 @ 17:04 Bernardete

    Não sei se deseje” sorte ou azar” pois,se este último, for tão inspirador e produtivo…Então,que aconteça mais vezes…………ADOREI!…

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