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Os portugueses são gordos

Os portugueses são gordos

Dito desta forma – a frio, sem dó nem piedade pode ferir suscetibilidades. Mas a frase não é minha e passo a explicar:

Aqui há uns dias, já há bastantes, antes desta minha ausência na blogosfera, o meu senhor marido disse-me o seguinte:

“Realmente, o Evan tem razão. Disse-me que os portugueses são gordos.”

E contou-me isto indicando-me um casal que passava, acompanhado dos filhos adolescentes.

Efetivamente, apesar de não ser uma família obesa, a verdade é que estava longe do peso ideal.

Durante os momentos que se seguiram fomos vendo e dando mais exemplos que confirmavam a “descoberta” do Evan.

Para contextualizar o meu caro leitor, informo que o Evan é chinês, e, provavelmente o único português que conhecia pessoalmente, antes de vir a Portugal era o meu senhor marido – que, modéstia à parte, é muito elegante e sem um grama a mais que seja, e cuja imagem é (também) muito apreciada no continente asiático, segundo consta. Portanto, com tão bom exemplo e admitindo que o Cristiano Ronaldo, que é dono de um físico invejavelmente bem cuidado, também seja conhecido naquelas bandas, compreendo perfeitamente que o senhor Evan tenha idealizado a imagem dos portugueses doutra forma!!

Já eu, na minha maneira portuguesa de ver as coisas, diria que os portugueses estão a ficar “gorditos”. O que é diferente de dizer: “Os portugueses são gordos.” (Em termos genéricos, claro. Porque temos muita gente elegante e também muitos magros nacionais.)

Agora, as perguntas que se impõem:

  • Andarão os portugueses a comer de mais?
  • Estarão os portugueses sedentários de mais?
  • Começarão os portugueses a adquirir maus hábitos cedo de mais?

Salvo muitas exceções de doença e outras que fogem do controlo humano, a resposta é sim a tudo. Sim, sim e sim.

  • São os lanches entre as refeições que afinal não são lanches. São verdadeiras refeições. São as refeições que afinal não são refeições, são verdadeiros banquetes, não tanto pela qualidade e diversidade mas pela quantidade. São os legumes e as frutas que ficam no supermercado…
  • É a escolha do elevador em vez das escadas, o uso do carro para ir ao pão. É o jogar futebol com os dedos em vez de correr atrás da bola. É o ir para casa – de carro – para ver séries em vez de ir correr ou ir ao ginásio;
  • É o puto, que ainda usa fraldas e já bebe refrigerantes, ou outro que ainda usa chupeta e lancha todos os dias um bolo com creme e quando chega a hora do jantar faz birra e atira com a sopa para o lado e espera pelo prato e pela sobremesa doce.

Enfim… há uma infindável lista de motivos para o excesso de peso. E o tema não é novidade. Já havia estudos e notícias que nos informavam acerca do assunto. Porém, o Evan, com os seus modos educados, chegou e pôs o dedo na ferida ao utilizar o verbo ser.

O que costumávamos ouvir por cá era: Os portugueses estão a ficar gordos; ou Os portugueses estão gordos.

Parecia algo transitório: – Não eram, mas estão agora, o que não significa que o sejam para sempre…

Já o Evan, o disse de outro modo. Chegou a Portugal e a sua estadia inferior a uma semana foi suficiente para concluir, sem sombra de dúvidas, que os portugueses são gordos. Não se trata de um estado ocasional, mas de uma característica – algo próprio dos portugueses.

E agora os meus leitores atentos dizem: Mas o Evan fala português ou o teu marido fala chinês? Ou será que ambos conversam numa língua que não é a sua, por exemplo inglês e algo falhou na tradução?? Estaremos perante uma situação de algo lost in translation?

Pode ser. Pode não ser. We will never know.

 

 

 

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