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Menos é mais

Menos é mais

Será mesmo assim?

Comummente ouvimos dizer, referindo-se aos mais diversos assuntos, que menos é mais, ou em “estrangeiro”, less is more, que é mais chique.

Mas, pode não ser bem assim. A quantidade certa varia conforme as circunstâncias.

Se fosse nos meus áureos tempos de adolescente, acharia um absurdo que alguém me dissesse que menos é mais. Refiro-me concretamente ao uso – exagerado – de acessórios, que me caracterizou nesse curto, mas relevante período da minha existência. Não sei muito bem explicar-vos como era possível haver espaço para mais uma pulseira ou anel, mas arranjava-se sempre. Nessa época eu possuía todo um arsenal que colocava em, praticamente, todos os dedos das mãos e enchia os braços, quase até aos cotovelos. E, por mais incrível que possa parecer ao cidadão comum nascido no século XXI, a artilharia era tanta, que julgo que não precisava de a repetir durante uma semana ou mais. (Mas como quem conta um conto acrescenta sempre um ponto, vai daí, posso estar a exagerar.)

Ora bem, uma adolescente que quisesse adotar esse estilo nos tempos de hoje, teria a vida facilitada pois encontraria facilmente ao seu dispor uma vasta oferta destes artigos, além de que poderia também inspirar-se sempre que quisesse nos looks dos seus ídolos, tal é a informação nos dias de hoje.

Mas, prezados leitores, “no meu tempo” não havia nada disso. A informação era escassa e limitava-se às revistas que não tinha o hábito de comprar; a oferta era reduzida e a procura era muita, pelo menos da minha parte; Por outro lado, estes bens de necessidade extrema tardavam em chegar aos locais mais recônditos e isolados. Pelo que, era preciso batalhar para abastecer o stock da artilharia. E, além disso, era preciso puxar pela cabeça para fazer daquilo uma tendência. Mas fazia-se. A população começava por estranhar – e de que maneira! – mas depois, entranhava-se o conceito até à exaustão.

Claro que se fosse hoje, esse problema já não se punha! O isolamento geográfico já não existe e todos os caminhos vão dar a Roma. (E já ninguém, ou quase ninguém, se admira ou se ofende com as – por vezes – estranhas tendências da moda.)

Posto isto, talvez seja por ter “abusado” na devida altura, ou porque simplesmente os nossos gostos vão mudando com a idade / com o tempo, a verdade é que não me consigo imaginar hoje a fazer isso (naquelas quantidades). Não abdico de um relógio e de um colarzinho, se fizer conjunto com os brincos, mas, já não me lembro da última vez em que usei uma pulseira. E, o mais estranho é que gosto de pulseiras e gosto de as ver nas outras pessoas, mas parece que não me “dá jeito” usá-las. Parece-me sempre que é coisa a mais. Prefiro, está visto o less is more.

Mas, não me choca o oposto. Quer dizer, se visse hoje uma réplica daquele meu estilo de teenager, provavelmente pensaria, “eh pá!”, mas, tirando o eh pá, como primeira reação, mais de “onde é que eu já vi isto?” do que de outra coisa, nada mais me ocorreria pensar.

Porém, como em quase tudo de que vos falo, também aqui não há verdades absolutas. Se pretendemos um ar mais elegante, é evidente que reduzir na quantidade de acessórios é uma boa aposta; se por outro lado, escolhemos um look mais descontraído, usar dois ou três colares, ou três ou quatro pulseiras pode resultar lindamente. Provavelmente será melhor não usar tudo no mesmo dia, mas vai daí, depende do material, da indumentária e sobretudo da disposição.

Conclusões? Nenhumas. Surpreendidos? Espero que não.

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