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Dia da mulher

Dia da Mulher sim ou não

Precisávamos mesmo deste dia?

A tendência (a moda) atual é ser contra esta comemoração. Ou ser politicamente / socialmente correto e não falar disso. Ignorar, deixar passar. Não nos manifestarmos contra nem a favor.

“Se existisse verdadeira igualdade não haveria necessidade de comemorar este dia. Da mesma forma que não se comemora o dia do homem.”

Até aí, tudo bem. Tem lógica. Se este é o dia da mulher os outros, por pura lógica, são do homem. Quer dizer, 364, ou – no caso deste ano 365 – é bem mais do que 1. E ainda assim, somos muito gratas e achamos que temos razão para comemorar! Temos 1 em 366. Yupi! Tragam lá o champanhe que hoje é dia de festa.

“Os outros, por pura lógica, são do homem.”

Mas será apenas a lógica da batata?

Ora bem, se pensarmos no motivo porque se comemora o dia – o reconhecimento da coragem de mulheres que decidiram lutar pelo direito à igualdade de condições de trabalho e salariais – aí podemos e devemos dar crédito a este dia, por elas, por essas mulheres, porque alguém teve a coragem de ser o primeiro. Ou, no caso, a primeira. Alguém se lembrou e ousou afirmar-se e impor-se, para que hoje não seja (ou para que hoje não fosse) necessário falar-se nisso.

Se pensássemos assim, seria de facto, apenas a lógica da batata.

Porém, o que acontece é que já ninguém vê este dia como um tributo a essas mulheres, mas antes como um “toma lá este rebuçado para te calares” /ou um “afinal, as mulheres são homenageadas, não sei porque se queixam”. E é aí, caros leitores que começa a filosofia.

Começa a filosofia, a psicologia, a literatura, a sabedoria e claro, esta escrita de algibeira. Sim, sim. Já não é só para vender postais, também é para o parlapiê.

Mas vamos a factos, ou, como diria a minha mãe: “Consequências?”

– A coragem daquelas mulheres merece reconhecimento. Isso é inegável.

– E, também é inegável que existem homens – alguns deles decisores – que realmente respeitam as mulheres e não é por haver, ou deixar de haver um “oito de março” que as vão tratar de forma diferente;

– Porém, existir este dia como se de um prémio de participação se tratasse, é um absurdo.

Leram bem. É um absurdo, que mais de 150 anos depois ainda haja tanta desigualdade. E não é só no trabalho. Começa logo em casa, no seio familiar, onde muitas mulheres ainda são desprezadas ou vítimas de violência apenas por serem mulheres. E nem me vou pronunciar sobre determinadas culturas onde o único direito da mulher é sobreviver. Coisa que, infelizmente, está para durar.

Mas, não é preciso ir tão longe. Porque no nosso dia a dia também temos muitos episódios, alguns tão banais, que parece que já nem notamos.

Quer seja na hora de levar o carro à oficina, onde o melhor é ir um homem, porque se for a mulher há fortes probabilidades de ser “enganada”; Quer seja na escolha do empreiteiro para as remodelações na casa; quer seja o evitar andar sozinha em determinados locais a determinadas horas do dia, enfim…

Mas, o mais flagrante, porque há leis que o proíbem, é que muitos dos patrões, chefes e outros que estão no poder e que neste dia são os primeiros a felicitar as mulheres da empresa e que, eventualmente até oferecem uma flor ou quiçá o almoço, são os mesmos que, na hora das promoções escolhem os trabalhadores que não usam saias, porque ter mulheres a dar palpites, ou pior, a decidir é desagradável. (Especialmente se forem as mulheres dos outros – porque quando são as deles, pelo menos em público, têm que fingir que gostam e que apoiam.) E depois, isto de engravidarem, terem bebés e poderem sair mais cedo para amamentar é chato!

O melhor é rodearem-se de homens, porque a testosterona quer-se às pazadas.

Por outro lado, se o interesse é impressionar os outros, ou distraí-los do que verdadeiramente importa: “chame-se a … esqueci-me do nome, aquela … a que tem o maior par de … neurónios, nem que seja só para dar os bons dias… enfim.”

Mas, o cúmulo é fazer deste dia feriado. É que, por incrível que vos possa parecer há quem comemore o dia da mulher com um feriado.

Mas, não se iludam. O feriado não é apenas para as mulheres. É feriado para todos! No dia da mulher!

Está-se mesmo a ver, também é feriado para o homem/pai/irmão/filho. E a mulher tem o dever de ficar agradecida por ter o privilégio de o ter em casa e de o poder servir neste dia tão especial.

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