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Cristina está em desuso

Cristina está em desuso

Porque será?

É habitual no início de cada ano fazer-se um balanço ou uma análise a determinados temas passados no ano anterior. Como tal, no início deste ano, tornou-se pública a lista dos nomes mais utilizados pelos portugueses para os bebés de 2015. E, como não podia deixar de ser, lá estavam como preferidos a Maria e o João, o que não surpreende ninguém, apesar de, se não me falha a memória, não conhecer nenhum bebé João.

Dessa análise, concluiu-se também que os nomes Cristina, Sandra e outro feminino que não recordo estão em desuso.

Verdade seja dita, conheço muitas Cristinas e outras tantas Sandras, mas nenhuma delas é bebé, nem sequer criança e, apenas duas são senhoras com mais de 50 anos, e ambas Cristinas. Portanto, com exceção de alguns casos raros, devo concluir que foi alguma febre que ocorreu entre finais da década de 70, até inícios da década de 90 do século passado.

Porém, se virmos bem as coisas, o nome Cristina não foi nunca verdadeiramente utilizado. Poucos fizeram até hoje, jus a este nome. Nem mesmo nós Cristinas. Assinamos, com efeito Cristina, e é o que consta no nosso documento de identificação, mas seremos realmente Cristinas?

Não é que seja um nome que eu odeie, ou simplesmente não goste. Nada disso. Não é o nome que eu escolheria, se coubesse a mim a decisão. É certo, mas também não sofro qualquer trauma por causa disso. A questão é outra.

“Ai Crestina, agora é que nos baralhaste, ou gostas, ou não gostas”. Estão a pensar os meus leitores. Outros estão a dizer: “Explica-te melhor Questina”.

E aí é que está a questão:

Não devo estar muito enganada se afirmar que conheço apenas duas pessoas que sabem pronunciar o meu nome, que são os meus pais – apesar de, Graças ao Senhor, não o utilizarem para me chamar, pois se há coisa que mais me fere o tensor do tímpano esquerdo é ouvir um ente querido chamar-me de Cristina. Por outro lado, lá se vai o tensor do estribo direito quando outros entes, imensamente queridos, me chamam de Crestina, ou Questina. Devemos dar graças a quem inventou diminutivos para determinados nomes. Compreende-se. É que Cristina é muito difícil de dizer. Daí nos refugiarmos em diminutivos, ou nos substitutos, como Crestina e Questina.

Por vários motivos, mas também por esse, por nem as suas titulares o saberem pronunciar, o nome cai em desuso.

Mas, será por “pouco” tempo. Não fiquemos tristes. Daqui a 20, 30 anos, alguns dos nossos filhos vão dar o nosso nome às filhas. Mas o grande “boom” será daqui a 40, 50, 60 anos, quando todas as Cristinas de hoje tiverem idade para serem bisavós. Nessa altura, muitos dos seus netos e netas escolherão para as filhas este nome em honra da avó. E vão ser muitos! Depois veremos se sabem pronunciá-lo!…

 

 

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